sábado, 27 de agosto de 2011

Um herói diferente - parte 2

Um anti-herói chamado Jesus. E olha que o nome dele significa “salvação”! Ele sempre preferiu andar na contramão da escada rolante. Podia ter iniciado o ministério em show de pirafogia, com divulgações por toda parte (talvez cartazes, outdoors, TV, rádio, Twitter, Orkut, Formispring) e ter dito: “Hoje vocês vão ver quem eu sou! Hoje eu mostrarei o quanto eu sou forte e poderoso, capaz até de realizar milagres e sinais sobrenaturais. Hoje vocês vão ver a Glória de Deus!”.

Mas Jesus começou o ministério (sem precisar de um título) em um casamento (Jo 2.1-11). Fora convidado com a mãe e ainda achou de levar doze machos com ele! E o primeiro milagre não foi nada de mais, pois quase ninguém soube disso... não houve “atualização” no Orkut de Jesus! Jesus realiza o primeiro milagre em uma festa mal programada por um “casalzinho” de jovens, que se esquecera de comprar muitos estoques do elemento principal daquela festa: o vinho. Desceu muito, hein?!

Jesus teve a oportunidade conversar e “converter” pessoas influentes, “bacanas” e que pudessem lhe trazer um retorno rápido e eficiente, principalmente financeiro. Agora, ele conversou com uma mulher de um gueto periférico (Jo 4.1-29) - ato proibido e mal visto na época, assim como hoje; curou doentes que não iam direto ao ponto, que colocavam desculpas para viver daquela forma (Jo 5.1-15); curou dez homens, sabendo que apenas um iria voltar para agradecer (Lc 17.11-19); bebeu, comeu e conversou com pessoas que não mereciam, sejam elas pobres ou ricas.

Em outros momentos, Jesus teve a oportunidade de “sacudir” aquele povo, mas ele preferia “fugir” para os montes e orar sozinho. Certo dia, após realizar um dos maiores milagres já vistos (a multiplicação de cinco pães para mais de cinco mil pessoas), Cristo teve a “chance” de se ser visto e se tornar o que todos procuram: o palco, o ponto mais alto no pódio (Jo 6.15).

As pessoas queriam coroá-lo e torná-lo rei, pois o que ainda faltava para um homem de bem, que realiza coisas boas pelo povo, que fala e prega bem e ainda realiza milagres? Era o momento de Jesus dizer: “O braço poderoso de Deus estar aqui! Vamos iniciar uma nova história, um novo tempo de alegria e vitória! Aleluia!”.

E mais uma vez, o anti-herói nos decepciona: ele não quis o cargo de rei! E o que é pior: falou que não gostou disso, que o povo só ia atrás dele por causa da comida e dos milagres, e que ele não estava ali para isso, mas sim para mostrar era o próprio alimento eterno do povo (Jo 6.35). E sabe o que aconteceu? Os próprios seguidores de Jesus começaram a ir embora, pois aquilo que ele estava falando era muito difícil e ia atrapalhar o avanço do seu ministério.

E aí, alguém quer assistir ou continuar assistindo ao filme do “anti-herói”? Quem quiser pode encontrar uma poltrona não muito reclinável e, talvez, encontre pipoca ou refrigerante, eu disse talvez! Qualquer coisa é só sair da sala, e se quiser pode até pegar o dinheiro de volta, pois o bilheteiro pode devolver!

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