sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Pouca ação e muita festa

O que podemos pensar acerca de manifestações? Pode-se ver muitas, com objetivos ou causas das mais variadas possíveis. Há marcha a favor da homossexualidade; há passeata contra. Marcha a favor da legalização da maconha; e também há marcha contra a legalização.

Greve dos policiais, bombeiros, professores, motoristas e cobradores, bancários e dos Correios. Greve de fome contra a corrupção, algemado na porta do Congresso Nacional. Marcha pra Jesus. Marcha das putas. Correntes em e-mails, Orkut e agora, no Facebook e Twitter. Para muitos, é a aplicação do artigo 5º da Constituição Federal.

Um assunto é comentado por milhares ou milhões de pessoas no Twitter. Na maioria das vezes, são assuntos banais, fúteis ou desnecessários, mas que recebem comentários, apoio ou repúdio. E assim, redes são criadas e fortalecidas, por pessoas que, supostamente, compartilham do mesmo pensamento ou ideologia.

O que me traz certa desconfiança não é o simples fato de protestar ou apoiar algum protesto. Eu observo - e logo, um erro é plausível - que as muitas pessoas fazem algum tipo de manisfestação não por causa do envolvimento, ideais, busca de justiça, equidade e igualdade de direitos. São mani-FESTAS-ção, isto é, a prática quase sempre é esquecida.

Na Parada Gay, muitos manifestantes são heterossexuais, que buscam "curtir" uma micareta gratuitamente, ou mesmo só para "zoar". Num protesto contra o turismo sexual na Eurocopa 2012 (evento futebolístico), mulheres ativistas vão às ruas sem blusas, sutiãs ou alguma pano que cubra os seios.

As correntes de e-mail ou redes sociais são, em muitas das vezes, refutáveis e inadmissíveis, mas tem gente que repassa sem ao menos imaginar e refletir do que se trata. Um coro afinado no Rock in Rio 2011 contra o senador José Sarney não significa nada, pois os mesmos não têm coragem ou vontade de protestar em favor da educação, saúde, direitos de crianças de rua, etc.

É um paradoxo observar que há pessoas que protestam contra a corrupção, mas não resistem à necessidade ou prazer de furar uma fila, colar na prova, copiar trechos da internet e de livros como citação pessoal, não ceder o assento a idosos, gestantes.

Os homossexuais exigem respeito, igualdade e reconhecimento pela sociedade. Entretanto, ao fazerem isso, tornam-se incoerentes, pois ficam dependentes da aprovação da sociedade.

Escrever também um texto desse tipo também não quer dizer muita coisa. Pode-se até pensar que tudo isso é uma ladainha utópica e desprezível. O bom é que da mesma forma que eu pensei tudo isso, alguém pode pensar juntamente comigo. Ou não.

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